sábado, 1 de agosto de 2009

Saudade do que nunca tive.

Mais uma vez me deixar levar pelos instintos. Fechei os olhos e ouvidos para o que é certo e me lancei novamente em direção ao bairro do Brás em busca da imagem que assola meus sonhos e pensamentos.

Sai de casa com o roteiro traçado, iria fazer compras no Carrefour e enquanto isso deixaria meu carro para ser lavado no lava-jato do próprio supermercado, mas assim que cheguei à marginal Tietê, perdi completamente o controle dos sentidos e segui cegamente para a loja da Samira.

Tudo aconteceu de forma tão abrupta que não tive tempo de ensaiar uma justificativa para meu retorno. Parei o carro e segui rapidamente para dentro da loja, pedindo ajuda aos Deuses para conseguir me aproximar um pouco mais da garota que sem saber fez meu coração já desacreditado voltar a pulsar.

Tentando disfarçar meus reais interesses, pedi que uma das vendedoras me ajudasse na escolha de um presente. Aleguei ser aniversario de uma amiga e que precisa de um presente e que contava com o seu bom gosto para me ajudar na escolha, que eu não tinha a menor idéia do que comprar e que ela fosse paciente e me mostrasse algumas peças.

Novamente tive que me apegar a uma mentira. Sem muitos recursos o improviso foi à única solução, tive que pensar rápido e apelar para a ânsia de uma boa comissão que certamente era o que desejava a vendedora.

A pobre moça se animou e me mostrou quase toda a loja, mas meus olhos pouco viram porque estavam constantemente fixados no balcão do caixa, sempre buscando o rosto da minha musa. A ansiedade de revê-la era tamanha que a voz da pobre moça me irritava e tive que fazer das tripas coração para não pedir que se calasse com tantas perguntas sobre a aniversariante que na verdade nem existia.

Passamos por saias, vestidos, calças, camisas dos mais variados tipos e cores. A pobre moça esgotava suas opções tentando agradar o indeciso cliente e esse por sua vez desanimado, pouco entendia do que lhe era dito.

Percebendo que não podia continuar com a encenação, afinal não era justo com a pobre moça que em todo momento se mostrou paciente e muito atenciosa. Resolvi pedir que ela chamasse a Samira para me ajudar na escolha entre dois vestidos que tínhamos separado.

Foi então que descobri que havia perdido o tempo e a viagem, pois Samira e sua irmã Nadhia não estavam na loja. Perguntei o motivo e descobri que se preparavam para o casamento de alguém de sua família.

Desapontado, pedi que a gentil vendedora embrulhasse o vestido mais escuro que naquele momento combinava perfeitamente com meus pensamentos e me dirigi ao supermercado com um vestido sem dona e o coração ainda mais saudoso.


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