sexta-feira, 21 de agosto de 2009

No Silêncio

O eterno ócio que conquistei vindo para Santos tem me proporcionado vivenciar experiências que dificilmente conseguiria realizar permanecendo em São Paulo.

Sou uma pessoa extremamente comunicativa e tal característica se manifestou durante toda minha vida. Na infância sendo o amigo que organizava a diversão, no colégio o aluno que era sempre o orador, mais tarde na escolha do curso superior onde me formei como publicitário.

Essa necessidade de me expressar se manifestou em outros campos como a fotografia através de minha quase extinta carreira de modelo, nas artes em formas de telas ou mesmo de letrinhas que destino não só a esse blog, mas também em meus contos e crônicas. Enfim, sempre busquei o dialogo, até mesmo quando não pronunciava uma única palavra.

Com esse isolamento venho praticando a arte do silêncio. Tudo bem que não um total silêncio porque minha cabeça mesmo confusa, fervilha de tanta atividade. Mas pela primeira vez passo por um processo tão delicado sem me escorar em alguém.

Não vejo méritos nisso, ou sito o fato para me vangloriar, muito pelo contrario. Sei estar mesmo involuntariamente preocupando as pessoas que me querem bem, que mesmo distantes se fazem presentes através de e-mails, blog e telefonemas (isso quando eu os atendo, hehe)...

Sei que poderei sempre contar com vocês meus amigos que sem obrigação, me adotaram como um irmão, um filho, um amigo. O que vocês tem feito por mim durante esses anos é algo que não tenho palavras para expressar. Deram-me atenção, compreensão, me deram colo e fizeram cafuné. Ouviram meus prantos e de novo e de novo com paciência, com ternura. Compraram brigas que não eram de vocês e me devolveram o que eu pensei estar para sempre perdido, o amor de uma família. Por que é assim que eu os vejo, como minha família.

Gi, você tem sido mais que uma mãe. Sempre ao meu lado a me apoiar, mesmo quando o momento era de critica você esteve ali e as fez de tal forma que me levou sempre ao entendimento que precisava para cada ocasião. Você é minha jóia rra, é meu maior presente.

Gua e Fernanda, vocês são aquilo que eu sempre desejei ter. Um casal unido, feliz, verdadeiro e por de mais amoroso. Lembro da primeira vez que a Gi me carregou para a casa de vocês para o então famoso encontro gastronômico. Vocês foram de tamanha generosidade com aquele garoto que até o momento da refeição ninguém sabia ser vegetariano. De minha parte lembro que para evitar a desfeita eu até me servi de uma porção do seu arroz de carreteiro e só não o provei porque nossa histérica amiga Gi deu um grito falando "não acredito que você vai provar Dri".

Podemos pular a parte do constrangimento e lembrar da atenção que tiveram em me preparar uma massinha que até hoje afirmo que deveria estar muito melhor que o arroz de carreteiro, rs.

Lú, minha cachinhos dourados, como não falar das madrugadas que passamos reclamando da vida lá na galeria dos pães. Não sei se a gente falava de mais ou se comia de mais. Acredito até que a gente procurava os problemas só para ter uma desculpa para voltar lá e devorar todas aquelas delicias. Lembra aquela vez que demos de cara com nossas mães sentadas numa mesa próxima a nossa. Eu já tinha saído de casa e você provocou minha mãe perguntando se ela iria me por para fora da padaria e quem sabe do bairro, rs. Sua mãe te catou pelo braço e acabou ali não só o nosso banquete, mas também o delas, rs.

Lembrei de nós dois ainda crianças fazendo centenas de barquinhos de papel e os colocando dentro da piscina. O Seu Dudu quase nos mata lembra e o pior foi o sindico falando com nossos pais. Você a Carol e o Dennys são as únicas coisas boas que sobraram da minha infância. De uma época onde a nossa única preocupação era a de correr por aquele prédio e levar o Seu Dudu (zelador), a loucura, rs.

Carol e Dennys, de toda uma família, vocês são os únicos que me aceitaram, me apoiaram e me incentivaram a seguir em frente. A não baixar a cabeça para toda a tradição, para todas regras e principalmente para o preconceito. Hoje além de meus primos, são também meus sócios e só tenho que agradecer também por isso porque sei que entre nós sou o menos dedicado, o que tem o menor comprometimento e pra falar a verdade ainda não sei como me toleram nessa sociedade.

Carol você que me apoio e comprou uma enorme briga que não era sua, indo contra o tio Hassan que tentou tomar de volta a casa que a vovó deixou para mim como uma parte da herança a qual todos nós, os netos tivemos direito. Casa essa que fora a sede de nossa família desde que ela e o vovô chegaram ao Brasil e que se dependesse do tio Hassan hoje já estaria no chão para que ele então pudesse derrubar o casarão e construir o edifício que ele tanto desejava. Além disso ainda saiu de casa e veio morar comigo para não me deixar sozinho.

O que posso falar para você?

Como posso de alguma forma te agradecer?

Deborah, você assim como Ale foram as pessoas que mais amei na minha vida. Lembro do nosso primeiro dia de aula e da enorme atração que nos juntou. Do problema com seu namorado que na época chegou até a virar seu noivo, rs. Eu ali desiludido resolvi assumir algo que para mim era novo e difícil de aceitar porque afinal era apaixonado por você, mas em contra partida me sentia diferente por desejar me relacionar com o mesmo sexo.

Me assumi gay, você terminou com seu noivo, deixei de ser gay, assumimos nosso namoro que com duração de pouco mais de dois anos para então terminarmos e retomarmos essa bela amizade. Como eu sempre te falo, a culpa de eu ser bissexual deve ser sua neh, hahahahaha.

Sinto sua falta, mas agradeço por você estar longe, buscando seu aperfeiçoamento e assim não ter conhecimento que esse seu amigo se encontra novamente em crise.

Chris, não quero mais brigar com você.

Sabes que estou muito magoado contigo pela forma que tem se dirigido a mim nos últimos e-mails. Não os responderei e nem mesmo atenderei suas ligações. Não estou sendo egoísta e muito menos tentando ser o centro das atenções como você cruelmente insiste em afirmar.

Desejo encerrar esse assunto porque o tenho como um irmão. Irmão esse que nunca foi gerado do ventre de minha mãe, mas mesmo que o fosse, duvido que me fosse tão caro quanto tu és. Só peço que me de o tempo que lhe pedi, sei que um dia vou romper essas barreiras e ai sim volto para Sampa e para junto de todos vocês.

Obrigado a Laura, Rita, Fernando, Silas, Pablo, Marcelo, Cidinha, Ana, Glauco, Erika, Fran, Pedro, Jonas. Obrigado a todos por fazerem parte de minha vida. É por você e graças a vocês que ainda estou aqui.

Mesmo perdido em tantas recordações do passado, não me deixei soterrar pelas péssimas lembranças. No meio de tanto silêncio, fecho os olhos e visualizo a todos vocês meus queridos amigos.


Um comentário:

  1. Ah meu querido,tão lindas palavras vc escreve sempre,não me surpreende que vc tenha citado tantas pessoas neste texto,vc deve ser alguém muito querido por todos e esse isolamente em que vc se impôs,está fazendo com que todos que te gostam sofram.mas contudo acredito que vc está precisando recarregar suas energias,buscar novas forças,e quase sempre o melhor é fazer isso sozinho mesmo.só não demore muito tempo,um amigo longe faz falta e acho q quem te conhece deverdade(que ainda não é meu caso) está triste com a sua ausência.amigos são como casas construidas com amor e luta,não devemos deixa-las sozinhas,para que a tempestade não as derrube. querido toda a força e luz do mundo para vc nesse momento dificil.espero que no seu silêncio vc encontre as respostas que quer para sua felicidade.um beijo carinhoso!

    ResponderExcluir