quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Pobreza de Espírito.

Ontem fui convidado pela turma de amigos pentelhos que tenho a tomar umas cervejas (no meu caso vinho), num bar próximo a casa da Gih. Foi uma reunião, ou diria mais um cata organizado pelo Gua que viaja agora nessa sexta-feira e queria um bota fora com os amigos.

Como ele desmarcou nosso já tradicional encontro gastronômico que na grande maioria das vezes acontece na cozinha de sua casa, fomos todos sem exceção nos despedir e desejar boa viagem de quatro dias, rs, para o nosso carente amigo.

Chegamos por volta das 21:00 e resolvemos sentar na parte externa do bar.

Falávamos sobre coisas sem importância, a boa e velha verborragia de sempre, até que uma menina por volta de seus dez, talvez onze anos se aproximasse de nossa mesa perguntando se poderíamos ajudá-la comprando alguns dos drops que vendia.

Perguntei o valor e disse que queria cinco, peguei o dinheiro na carteira e quando a menina tentou me entregar disse a ela que ficasse com eles de presente, que os chupasse ou que os vendesse novamente para outra pessoa, mas que guardasse o dinheiro para ela e não entregasse, para o adulto que deveria estar por perto lhe acompanhando.

A menina se afastou agradecida e para minha surpresa todos na mesa iniciaram uma fervorosa discussão a respeito do que acabara de acontecer. No inicio tentei me manter neutro porque já sabia que não chegaríamos a lugar algum, mas quando me acusaram de incentivar a exploração de menores fiquei muito puto e ai sim praticamente conduzi todo o restante da conversa.

Luciana que durante todo o tempo tinha permanecido calada pediu um minuto a todos e recorreu à justiça divida, a leis de reencarnação, a lei de causa e feito e quanto mais ela falava menos aquilo fazia sentido.

Como o assunto fora desviado para o que segundo eles era Karma de uma pessoa, eu elevei meu tom de voz e despejei uma série de questões para que todos refletissem e pudessem quem sabe rever parte dos absurdos que estavam falando.

De imediato falei que se seguíssemos com o pensamento reencarnatório onde uma pessoa nasce em miséria, como pena e prova para expiação de parte dos erros cometidos em outras existências, não cabe a nós o julgamento de como essa pessoa deva levar sua vida. Ainda perguntei onde estava o problema de uma pessoa de fora, auxiliar mesmo que com um gesto na tentativa de amenizar tal sofrimento.

Se você passa diariamente por uma pessoa necessitada e não busca ajudá-la mesmo tendo recursos para isso, me pergunto quem é que está realmente mais necessitado?

Não me refiro somente recursos financeiros porque muitas dessas pessoas pedem por atenção, por uma oportunidade e não por um punhado de moedas. Penso que tudo aquilo que deixamos de fazer tendo condições para isso só nos mostra o quanto estamos embrutecidos, tão preocupados com nossas conquistas, com nossa felicidade que deixamos de lado tudo aquilo que nos cerca.

Diariamente vemos nos jornais, revistas, televisão uma série de desgraças, de notícias que aparentemente nos chocam, mas assim que ela é substituída pela manchete seguinte, toda aquela aparente comoção é esquecida. Você pula da tragédia para a comedia sem nem perceber porque infelizmente estamos habituados a conviver com a miséria, violência e tantos outros males que assolam a toda humanidade.

A quem queremos enganar jogando tais problemas nas mãos dos governantes ou pior ainda tentando escondendo em baixo do tapete.


Um comentário:

  1. Meu querido,adorei tudo oq vc escreveu,como sempre vc foi preciso e verdadeiro;as vezes fechamos os olhos para quase tudo oq está a nossa volta,quando não é do nosso interesse então...xii agente finge q nem existe.muitas vezes tb ja me peguei discutindo sobre isso,pq as pessoas sofrem tanto?ajudar ou não moradores de rua? sabe,eu sempre acabo ajudando,pelo simples fato de me imaginar naquela situação,eu penso meu Deus,e se fosse eu? se fosse eu q estivesse ali na rua,sem nada? como eu me sentiria se as pessoas passassem por mim e me ignoracem?como eu me sentiria se me tratassem como um lixo? eu sei q dar um trocado a alguém(sendo criança ou não) não vai resolver seus problemas,mas não me custa nada...e eu me sinto util de alguma forma mesmo q pequena.Eu tenho muitas istórias sobre esse assunto,coisas que me emociono só de lembrar,cenas q realmente maracaram minha vidinha.acho legal q você tenha essa consciência;nesse mundo tão egoista em que vivemos é quase raro alguém assim.

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