quinta-feira, 30 de julho de 2009

Choque Anímico

Na aula dessa semana aprendemos um pouco mais sobre Choque Anímico. Processo utilizado com muita freqüência dentro das casas Espíritas como forma de tratamento para a libertação de entidades em perturbação.

Como médium, presenciei esse tipo de tarefa e em algumas ocasiões servi também como veiculo incorporando essas entidades e doando o que chamamos de Fluidos Materiais.

Tentarei explicar o processo e por que ele se faz necessário.

Primeiramente é bom fixar que não existe uma regra e sim inúmeros fatores que levam uma entidade a entrar em estado de perturbação. Fatores como apego material, apego emocional e também a causa do desencarne pode desencadear esse tipo de confusão psíquica. No caso de mortes violentas, ou súbitas esse processo é mais comum.

Tais entidades geralmente repetem incessantemente o sofrimento que as afligia em vida.

De inicio se sentem abandonadas, ignoradas por familiares e pessoas próximas. O medo e insegurança crescem de tal forma que as impede de enxergar o mundo a sua volta. Geralmente se abrigam em lugares escuros e também no local de seu falecimento (casos estes de acidentes ou assassinatos). É muito comum ainda sentirem as dores físicas que seu corpo trazia em vida.

O contato com esse tipo de entidade é tão difícil que até mesmo entidades mais evoluídas do plano superior não conseguem quebrar esse processo repetitivo de sofrimento que esses espíritos sofredores inconscientemente se penitenciam. Muitas estão tão desesperadas que se fecham durante séculos, revivendo infinitamente o pesadelo que causaram para si.

A libertação dessas almas é um processo muito delicado e que depende tanto do lado espiritual como do material. De inicio o plano espiritual identifica essas entidades e as envolve com seus fluidos benéficos tentando afastá-las dos locais onde se abrigam. Elas são retiradas, mas o estado mental que se encontram é tão deteriorado que para elas é como se nada tivesse ocorrido e imaginam ainda estar presas ao seu local de sofrimento.

Feito isso a entidade é trazida para junto de um médium, para que a energia vital que anima esse médium possa entrar em contato com essa entidade fazendo com que ela passe por algo parecido como um choque. Essas entidades mesmo desencarnadas estão profundamente ligadas com o plano material mesmo não fazendo mais parte dele. Sendo assim religá-las ao plano material através do contato com um médium é a única forma de romper sua perturbação e levar luz e esclarecimento a essas entidades.

Como estão intrincicamente ligadas ao plano terreno é dado o contato (Terra a Terra).

A partir do momento em que é feito o contato entre o médium e a entidade, os doutrinadores espirituais e os encarados tentam dialogar com esse espírito sofredor, mostrando que o estado em que se encontra nada mais é do que uma alucinação causada por ele mesmo. Em praticamente todos os casos, essas entidades desconhecem o fato de estarem desencarnadas.

A comunicação feita através do médium dura poucos minutos, nada mais do que o tempo necessário para que essa entidade possa receber do plano material, através do médium os fluidos vitais para que possa continuar a ser assistida nos campos de tratamento do plano superior.

Existem também casos onde essas entidades são levadas diretamente para o plano superior ou mesmo casos mais remotos onde uma entidade já esclarecida volta a entrar em estado de perturbação na tentativa de libertar um ente amado. Temos um ótimo exemplo desse processo no filme Amor Alem da Vida.

Recebemos relatos de casos onde médiuns são levados em estado de desdobramento para o plano espiritual para que possam ajudar na doação de fluidos materiais para ajuda de tais entidades.

É um trabalho maravilhoso repleto de dedicação e amor.

Não sei se consegui registrar aqui nesse Blog um pouco da grandeza desse processo. Penso ser muito mais fácil entender do que conseguir explicar, mas considerei o assunto de tanta importância e por isso resolvi publicá-lo aqui no meu cantinho.

Caso alguém leia e de repente se sinta com duvidas, me ponho à disposição para dentro de minhas limitações tentar explicar melhor.


segunda-feira, 27 de julho de 2009

Vendo Fantasmas

Neste final de semana convidei alguns amigos para tomar um vinho aqui em casa. Nenhuma comemoração em especial, só mesmo a vontade de jogar conversa fora junto das pessoas que mais me entendem nesse mundo.

Como o Fernando está viajando a trabalho e com a isso a Gih ficou temporariamente solteira, resolvi pedir a ela que viesse mais cedo aqui para casa para me ajudar nos preparativos. Sou bom em elaborar o menu e fazer as compras, mas terrível em assunto como organização e decoração, e ninguém melhor do que minha doce amiga para vir em meu socorro.

Só não podia imaginar que o que ela faria fosse exatamente me socorrer.

O assunto entre nós corria em terrenos férteis. Falávamos sobre trivialidades e sem que me desse conta fui conduzido a assuntos que vinha negligenciando ou até mesmo ignorando por estar diretamente envolvido.

Conhecemos-nos já há muitos anos e desfrutamos de uma sinceridade e confiança tão grande um com o outro que ela costuma dizer que frases que se iniciam em sua boca, terminam sendo pronunciadas pela minha e vice versa. É como se uma só cabeça habitasse dois corpos que mesmo separados pela distância permanecem unidos, conectados.

Estávamos na cozinha ajeitando uma tabua de frios quando ela disse que queria falar sobre meu Blog. Eu até pensei que ela fosse comentar mais alguma coisa sobre o Post Perfeição como ela já tinha dito que faria, mas para minha surpresa ela resolveu falar sobre minha mais recente postagem onde falo de ansiedade.

Ela esticou seu braço por sobre a mesa e segurou minha mão perguntando se eu não tinha percebido o que estava ocorrendo. Respondi que não tinha entendido onde ela estava querendo chegar e para ser mais objetiva. Alem de não me responder ela disse que me faria algumas perguntas e que minhas respostas me mostrariam onde ela queria chegar.

A primeira pergunta foi de onde eu conhecia os tais amigos que citei no post.

Depois sobre o quanto eu sabia da vida de cada um e o quanto sabiam da minha.

Perguntou também se um desses amigos estava passando por algum tipo de problema e principalmente como eu estava me portando.

Fui respondendo cada uma de suas perguntas até que justamente como ela disse as coisas ficaram claras em minha mente e pude entender para onde estava sendo guiado.

É impressionante como a vida nos prega peças. Situações são novamente revividas com novas datas, novos personagens, mas sem mudanças no roteiro. O enredo é idêntico, tão familiar que te passa despercebido. Você se entrega sem ressalvas, despido de toda armadura que vestiu justamente para evitar sofrer novamente.

Confesso que o peso de tal revelação me afetou. Tenho sim muito medo de me ferir novamente afinal quem não teria. Na época abri mão de muita coisa como uma viagem já agendada com amigos. Arrumei uma briga enorme porque tais amigos alem de não aceitar minhas justificativas para desistência de nossa viagem ainda não entendiam a razão de eu estar fazendo aquilo.

Fui para um lugar estranho me encontrar com um casal de irmãos que se diziam necessitados de meu amparo emocional para depois descobrir que tudo não passava de uma farsa, já que os problemas que eles alegavam ter como a perda dos pais e a desistência da vida era na verdade fatos por eles explorados para encobrir duas almas desumanas, que sugavam incessantemente da atenção e afeto que recebiam de mim e de mais alguns amigos que também estavam sendo enganados.

O mais cruel é que depois de quase um ano de amizade com conversas quase que diarias pelo msn e telefone, resolvi aceitar o convite de passar junto deles uma semana para quem sabe ajudá-los a se redescobrirem, a enterrar as lembranças do passado e seguir em frente, a voltar a viver. Mas quando lá cheguei e eles se viram obrigados a enfrentar todos os fantasmas que haviam me prometido, não tiveram a coragem necessária e simplesmente me expulsaram para fora de sua casa. Acordei pela manhã e fui informado que eles desejavam que eu fosse embora, que já tinham providenciado tudo como a compra de minha passagem de volta e também o cancelamento das reservas que eu tinha feito para passear e conhecer a cidade.

Senti-me sozinho entre estranhos, perdido numa cidade desconhecida, sendo humilhado por pessoas dignas de uma crueldade que jamais pude imaginar. Bom, de certa forma sei ser responsável por aquilo tanto quanto eles.

Voltando ao presente percebi que dessa vez não existem familiares mortos ou visitas que devem ser feitas, mas o que se assemelha e muito são as horas de conversa onde tudo que é dito e aparentemente compreendido, é distorcido e posto em pratica já no dia seguinte de forma totalmente contraria ao que foi discutido.

Não questiono o gral de entendimento e muito menos espero que nossas conversas sejam levadas ao pé da letra, mas me pergunto sim se estou agindo de forma correta, se estou sendo um bom amigo ouvindo e aconselhando ou somente uma válvula de escape, ou até quem sabe uma agradável distração, com boa conversa e relativo grau de cultura.

Não pretendo em nenhum momento virar as costas, pois isso não é de meu perfil, mas entendo que devo voltar a vestir minhas proteções para que a vida novamente não se faça presente e me arraste mais uma vez para rumo a escuridão.


sexta-feira, 24 de julho de 2009

Reincidente

Acredito que ainda não seja possível reconhecer quais são os meus defeitos e qualidades devido ao curto período de existência desse novo Blog. Sendo assim vou falar um pouco daquele que considero ser meu maior defeito. A ansiedade.

Não é possível elencar todas as vezes que me deixei levar por esse sentimento de perturbação, porque pelo que me recordo já somos íntimos desde a mais tenra infância. Lembro com clareza do sofrimento que era esperar até o Natal, Aniversário, e outras datas comemorativas nas quais eu sempre recebia os presentes encomendados.

Me recordo de um Natal que prometi aos meus pais deitar mais cedo para que o Papai Noel pudesse deixar meus presentes em baixo da cama. É fato que a ansiedade foi tão grande que não dormi, e assim que meu tio entrou pelo quarto vestido de Papai Noel para cumprir com o ritual, saltei da cama em direção a seu pescoço, acabando assim com a surpresa e também com a fantasia da existência do Papai Noel.

Essa aflição de não saber esperar me perseguiu e de alguma forma me fez sofrer por toda vida. No colégio era a preocupação com as provas. O medo de uma nota baixa sempre me tirou o sono na véspera de cada exame mesmo sendo eu um aluno sem grandes problemas de aprendizado.

E às vezes em que quase morri antes mesmo de chegar à consulta médica. Só o medo de imaginar que eu poderia ter alguma doença, ou que teria que fazer algum tratamento já me deixava mais enfermo do que o mal que buscava tratar.

Não posso esquecer de citar a impaciência na espera por compromissos, sejam eles profissionais ou puro laser. Não tolero atrasos e sendo assim também não me permito chegar atrasado. Meu receio de deixar uma pessoa esperando é tão grande que sempre chego antes do horário marcado e fico fazendo hora do lado de fora do local combinado.

Essa ansiedade também se fez presente em meus relacionamentos amorosos. Discussões poderiam ter sido evitadas se eu não tivesse cobrado, planejado, combinado e depois sofrido porque a outra parte se esqueceu, mudou de planos ou simplesmente não deu a importância que eu esperava.

Como se não bastasse fui buscar uma profissão onde o tempo é seu maior inimigo. Como não sofrer de ansiedade sem saber se sua campanha seria aceita, se seu cliente ou professor iria entender suas idéias, se sua linha de raciocínio estava correta, se conseguiu entender o produto e criar algo que despertasse desejo no consumidor, ter a obrigação de criar algo novo, original, como passar por todo esse turbilhão sem demonstrar ansiedade?

Depois de tantos exemplos eu poderia alegar estar curado desse sentimento tão perverso que chega sem maiores avisos e quando você percebe já está andando de um lado para o outro ou então batendo os dedos irritantemente sobre a mesa.

Confesso estar novamente sofrendo de ansiedade. Ela me persegue quando penso na Samira e em tudo que pode acontecer, ela aparece também nos compromissos que tenho para os próximos dias e até mesmo aqui nesse Blog e num propósito paralelo que teci para ele.

Deixei-me levar pela idéia de criar um espaço onde inicialmente três amigos pudessem se expor sem receios. Cada um dentro de seu pequeno espaço falaria de seus medos e incertezas, seus sonhos e desejos e assim unidos iríamos nos ajudando nessa enorme troca de experiências. Quem sabe até exorcizar nossos fantasmas, tentando encontrar sentido dentro desse nosso caos existencial.

A ansiedade foi tão grande que esqueci que para esse sonho dar certo ele depende de outras pessoas. Depende do desejo dessas pessoas em compartilhar suas vivencias. Em não só contar sobre suas histórias, mas também a ouvir e a aconselhar a oferecer um braço forte quando for necessário lutar e também um colo quando o momento for para chorar.

Vejo agora o quanto me enganei, o quanto fui ansioso acreditando na formação desse elo. Minha vontade de oferecer essa troca de conhecimento e aprendizado foi tão grande que não percebi que poderia estar falando sozinho. Como oferecer ajuda se não existe a quem socorrer e como gritar por socorro num ambiente que pode ser estéril onde não se é ouvido e nem entendido...


quinta-feira, 23 de julho de 2009

The Player

Impelido por um sentimento que não pude mais sufocar, me entreguei cegamente a um combate que sinceramente não sei ser capaz de triunfar.


Desde a tarde de sábado que acordo e vou dormir pensando somente em uma coisa, ou melhor, em uma pessoa. Sou obrigado a reconhecer que aquela moça me tirou do eixo, me fazendo acordar desse mar de calmaria que venho habitando há alguns meses.

Passei quase uma semana tentando buscar lógica em um território que para mim no momento é totalmente desconhecido. Como obter uma resposta se ainda nem consegui formular as questões.

Cansado de tantas teorias resolvi desligar definitivamente o lado racional. Passei a ignorar toda e qualquer informação de perigo ou advertência. Decidi fechar os olhos para o que é certo e errado e iniciar então a minha versão da guerra santa. Ortodoxo contra Muçulmano. Damm x Damm.

Allah Mabarake


Desvencilhei-me o mais rápido que pude dos compromissos que tinha aqui no escritório. Ainda enquanto trabalhava fui arquitetando o plano de ação que me levaria de volta à loja de Samira sem levantar suspeitas. Não poderia chegar lá com a maior cara de pau depois do meu já desastroso primeiro contato.

Por sorte não precisei de muito tempo para formular minha estratégia. Em poucos minutos estava eu dentro do carro, acompanhado da calça corsário que comprei na loja da Samira.

O receio de não encontrá-la era tão grande que fazia o coração quase sair pela boca.

Em poucos minutos estava eu diante de sua loja, pedindo novamente as bênçãos do Senhor. Allah Mabarake

E não é que ele me abençoou.

Assim que entrei já pude ver Samira perto ao balcão do caixa, ao lado de outra moça que logo reconhecei com a tal irmã já mencionada. Aproximei-me e novamente as saldei em Árabe.

Sabahel kheir, kifac.

Samira me apresentou como sendo o patrício simpático que estivera na loja no sábado. Esse comentário me fez ver que então minha presença mesmo que para mim desastrosa havia deixado uma marca já que Samira tinha comentado sobre mim com sua irmã Nadhia.

Nadhia também é uma mulher muito bonita, de traços mais fortes e voz firme e logo me perguntou o que me trazia de volta. Eu que já estava com meu discurso ensaiado desde que sai de casa, não me deixei abater pela fraqueza de Nadhia e respondi que a calça havia ficado um pouco apertada e eu gostaria de provar um numero maior. Mentira a calça estava perfeita.

Ela pediu para que uma atendente fosse buscar um numero maior e enquanto isso aproveitei para puxar assunto com as duas. Para minha surpresa, Nadhia se mostrou uma simpática tagarela que logo me entupiu de perguntas sobre minha família, trabalho e outras futilidades. Descobrimos até que poderíamos não ser totalmente estranhos, pois nossas famílias freqüentam alguns lugares em comum.

A atendente voltou com minha calça e eu para continuar com a encenação me dirigi ao provador. Fiquei um tempo parado e sem provar a nova calça, sai alegando que não tinha ficado bem, que estava muito larga. Pedi para ver novamente a anterior.

Enrolei mais alguns minutos e voltei para o caixa com cara de duvida, relatando o ocorrido e pedindo a opinião das belas jovens.

Fui aconselhado a manter a calça original já que segundo elas o jeans laceia com o uso. Mal sabe elas que o jeans estava perfeito e não desejo que laceie um só milímetro, rs.

Quando percebi que já chegava a hora de me despedir, resolvi dar a ultima cartada e contando com a simpatia e senso de humor da Nadhia, fiz o seguinte comentário.

- Sabe Nadhia, a Samira foi muito rude comigo no sábado passado. Eu a convidei para um lanche e ela não aceitou. Você não acha que ela me deve pelo menos um café.

Nadhia sorriu e sem pensar duas vezes respondeu que pegaria um café para mim, mas eu fui mais rápido e respondi que nós sendo árabes não poderíamos aceitar um café de garrafa térmica, e que eu fazia questão de levá-las até uma cafeteria próxima.

Percebi que ela se sentiu presa com a forma que coloquei meu pedido, mas justificou que não poderiam deixar a loja. Eu mais uma vez insisti e disse que as levaria então uma de cada vez para que a loja não ficasse abandonada na mão dos empregados.

Nadhia abriu mão e me liberou Samira para um rápido café.

O café seguiu tranqüilo, com conversa descontraída sem que eu desse bandeira e pusesse tudo a perder. A cada gesto, a cada palavra, meu fascínio por Samira só ia aumentando e envoltos numa atmosfera de total inocência retornamos para dentro da loja.

Despedi-me das irmãs dizendo que retornaria muitas outras vezes, não só pelos produtos, mas principalmente pela simpatia das proprietárias.

Desejei uma boa tarde e bom trabalho. Maçal kheir, Ia tikkel afie

Allamaac


Não sei qual será meu próximo passo, não posso retornar tão já a loja.

Sei que poderia usar o pretexto da compra de um presente, mas penso que tenho que conseguir algo maior, algo que me faça ir alem do balcão do caixa. Pensei em ficar amigo do tal noivo, pois esse sim não colocaria empecilhos na aproximação de um estranho. Talvez ele seja o elo fraco.

Bom, não sei onde isso vai dar e nem de que forma terminar, mas uma certeza eu tenho, essa história não acaba aqui...

Salam ua leikun.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Perfeição.

No meio do caos, me pergunto quais são os critérios que determinam o que é ou não perfeito.


Convivemos diariamente com todo tipo de imperfeição, seja ela de caráter físico ou moral.

Tudo começa já na concepção. Unem-se então dois indivíduos, masculino e feminino. Milhares de espermatozóides que se lançam rumo ao desconhecido para que só um atinja seu objetivo.

Chegamos ao mundo, envoltos por um processo traumático. Você de repente é expelido do único local onde se sente seguro, passa a ter contato com formas estranhas que te pegam e testam para saber se está vivo e saudável.

Você então se torna um individuo, ganha um nome, números de registro que o acompanharam para o resto da vida e o mais assustador, passa a fazer parte de uma família. Pessoas estranhas que convivem juntas e que sem maiores explicação passam a te amar já no primeiro momento. Bom, não só a te amar!

O tempo, as oportunidades e aptidões se encarregam de lapidar aquele individuo que a poucos momentos não passava de usina de secreções. Tudo no ambiente que o cerca é imperfeito. Seja sua família repleta de conflitos e incertezas, seja no seu local de trabalho cercado por ambições e traições, no seu colégio coalhado de inveja e competitividade, nas suas amizades, sujeitas aos caprichos do destino e por fim no caos da sociedade e cidade onde vive.

Já que hoje falo de perfeição e no momento acabo de citar as cidades, me sinto obrigado a tomar como exemplo Brasília. Cidade esta projetada para ser a mais bela e perfeita de nosso país. A cidade criada pelos mais humildes para servir de moradia para a elite, os governantes de nossa nação.

Parece até um castigo dos Deuses porque Brasília alem de não ser perfeita hoje abriga aquilo que podemos definir como os mais imperfeitos dentre os seres humanos.

Mas quem disse que na humanidade existe perfeição. Somos tão falhos, covardes, mesquinhos. Apegamos-nos a rótulos, a cargos a títulos. Buscamos incessantemente a evolução a perfeição, mas se engana quem pensa que fazemos isso por satisfação pessoal, que cada conquista alcançada foi para nosso prazer. Na verdade se você realmente pudesse não desejaria mais do que um moletom confortável e uma satisfatória refeição.

Você não vai as compras para ficar bonito para você, vai porque quer impressionar alguém, seja uma namorada, um familiar, um amigo, seu superior de trabalho, enfim você tenta através dessas embalagens se mostrar mais perfeito do que realmente é.

Penso que não existe melhor juiz para determinar se algo é ou não perfeito do que as mulheres. Se Afrodite hoje aparecesse entre os mortais ouviríamos um coro formado por milhares de mulheres dizendo que ela nem é tão bela assim que é estrábica, tem celulite e ainda colocou silicone.

Caso apelemos aos mortais, em quem buscar a tal perfeição? Mahatma Gandhi? Madre Tereza?

Ai sou eu que duvido dessa perfeição, eles deviam ter chulé, ou quem sabe ser flatulentos, rs.

Mas não é privilégio dos seres humanos serem imperfeitos. Veja a diversidade animal, vegetal e mineral, repare na complexidade dos ambientes naturais do nosso planeta sempre sujeito a mudanças nas mãos das forças da natureza. Nem mesmo ai, existe perfeição já que tudo é mutável, tudo evolui e a nova espécie que surge é a versão mais adaptada da anterior, mais ainda imperfeita se comparada a que ha de surgir.

Sendo assim como é possível definir a perfeição se ela mesma não existe.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Amizades

Hoje não serei nem um pouco original e assim como milhares de pessoas dedicarei meu post a essa palavra de enorme significado e ao mesmo tempo de difícil explicação. Amizade.

Encontramos referências sobre esse nobre sentimento desde os mais remotos tempos. Podemos identificá-lo nos textos blicos, dentro da Mitologia de todas as cultuas, em romances reais e fantasiosos, na política de cada nação e nas suas mais variadas formas.
Acredito que por mais que seja estudado e dessecado jamais será compreendido se não for sentido.
Dentro da doutrina Espírita, aprendi que reencarnamos trazendo dentro de nossa família pessoas que já nos são familiares de outras existências. Assumimos ainda no plano espiritual o compromisso de buscar a evolução junto a essas pessoas tentando superar problemas causados em outras vidas. Sendo assim, penso que os amigos são a nossa segunda família, aquela que tivemos a oportunidade de escolher.
Durante toda nossa existência, criamos laços de amizades. Uns mais duradouros e outros nem tanto. Penso que um amigo sempre chega para nos aperfeiçoar, para dividir seu conhecimento e nos fazer entender um pouco mais de nós mesmos.
Não existe regra ou perfeição dentro de uma relação de amizade. Ao contrario do que muitos dizem existem sim cobranças, decepções e incertezas afinal somos humanos e como tal imperfeitos. Cabe ao verdadeiro amigo buscar o entendimento e o perdão.
Uma verdadeira amizade é mais fiel do que seu reflexo no espelho, só um bom amigo consegue entender todos os seus defeitos e qualidades e ainda assim gostar de você. Sempre devemos dar credito aos apontamentos feitos por um amigo, pois só ele é capaz de nos entender através de um olhar, de um sorriso ou até mesmo no mais profundo silêncio.
Um verdadeiro amigo não passa a mão sobre sua cabeça e lhe diz aquilo que deseja ouvir. Um amigo é aquele lhe mostra a verdade por mais difícil que ela seja e que lhe ajuda a suportá-la a superá-la.
A Amizade se mostra nas mais diversas formas. Existem os amigos imaginários, tão comuns entre a inocência da primeira infância. Como não falar das amizades coloridas onde o sentimento de amizade é tão grande que se transforma e então recebe um novo rotulo. Quantas amizades já não viraram namoro e quantos namoros não terminaram como amizades. Uma vez ouvi dizer que devemos tomar como companheira(o) aquele que desejamos como amiga(o).
Um amigo não pode solucionar os seus problemas, ou sanar suas duvidas. Não tem poder para mudar o que foi feito e nem tão pouco como predizer o futuro. Não pode evitar seus tombos e nem sofrimentos, nem lhe ditar regras ou dizer quem deverás ser ou fazer. Mas um amigo pode estar sim ao seu lado, lhe ouvir e lhe oferecer sua mão para que juntos possam atravessar todas as turbulências da vida.
A quem diga que só entende a importância de um amigo quando já não o temos mais presente.

Eu poderia passar o resto do dia falando do quanto me são caros vocês meus amigos. Do carinho, respeito e admiração que tenho por cada um de vocês, mas penso que amizade não deva ser escrita, mas sim sentida, vivida. É assim que me despeço por hoje agradecendo a Deus por ter me dado cada um de vocês, meus tão queridos amigos.

Feliz dia do Amigo.

domingo, 19 de julho de 2009

O mundo gira ao meu redor

Pesquisadores de todo o mundo dedicam suas vidas a grandes causas como a descoberta do Câncer, da Aids, Obesidade, Diabetes entre outros males da humanidade, porem que se dedica a descoberta de uma vacina para a ressaca?

A rotina semanal te faz agregar não só seus problemas, mas também os daqueles que o cercam e quando percebe imagina estar sustentando todo o universo em suas costas.
Em busca de alivio reuni alguns amigos e sai à procura de diversão. Frise bem essa palavra Diversão e me entreguei de corpo e alma aos prazeres karnais. Calma lá, não todos, pois sou um rapaz quase de família e geralmente não cometo os sete pecados todos de uma só vez por isso a Luxúria continua em segundo plano.
Decidimos que o palco para nossa recreação seria o Darta lá em Pinheiros. Casa pequena, mas bem aconchegante. Decoração estilo anos 80 com direito a pista de dança, bares e mesas no piso superior e até games de tabuleiro da Estrela famosos nos anos 80 e 90. Para os viciados em games eletrônicos a casa ainda oferece os Ataris para os sempre nostálgicos de plantão. Os conheço a tanto tempo que às vezes esqueço ser só um cliente devido às regalias que consigo de meus bons amigos proprietários e DJs que na grande maioria das vezes atendem meus pedidos, hehe.
Querendo tirar uma bela moça de meus pensamentos me entreguei sem prudência aos sabores e coloridos dos drinks. Não tenho como detalhar tudo que foi sorvido durante essa madrugada, mas pelo que me lembro antes da ausência de sentidos não tenho duvida de que meu objetivo foi realizado.
Enquanto ainda controlava meus pensamentos até pensei em buscar uma boca no meio dos que lá estavam. Alguém capaz de me dar aquilo que eu ansiosamente desejava desde que vi a Samira em sua loja. Porem o pouco de bom senso que ainda me restava me impediu.
Meu corpo se movimentava freneticamente embalado pelas melodias. Os copos e conteúdos se alternavam até que fui obrigado a me estirar numa cadeira e lá mesmo apagar.
Não lembro como sai de lá, como cheguei em casa e nem como vim parar na minha cama. Imagino que dei trabalho aos meninos, principalmente ao Chris já que ao acordar encontrei um recado rabiscado aqui em cima da cama.
Di, espero que acorde bem, pois tem uma tarefa desagradável te esperando dentro do seu carro...
Acabo de acordar ainda de tênis com uma sede digna de quem fez todo o percurso do Saara a pé. A cabeça estourando e uma enorme vontade de voltar a dormir. 
Bom, vou levantar e tomar uma ducha, já que tenho que ver o que aprontei dentro do carro. Pior que até imagino o que me aguarda, que nojo!!!

sábado, 18 de julho de 2009

Do êxtase ao Purgatório.

Já reparou como podemos vivenciar sentimentos tão opostos num curto período de tempo. Que uma única pessoa, até mesmo um estranho é capaz de te elevar ao Olimpo e minutos depois lhe afundar na mais profunda escuridão do Tártaro.
Como sair ileso desse conflito de emoções?

Ontem resolvi seqüestrar o Chris e mais um casal de amigos para juntos comermos uma pizza lá na Mooca. O programa perfeito para quem está afim de boa comida ao lado de grandes amigos e muita conversa sem sentido. Digo isso porque o Chris tem o dom de confundir a todos com suas conversas divertidas, mas quase sempre sem lógica, que ao termino te faz questionar se alguém nem que seja ele entendeu algo do que foi dito. Some isso algumas garrafas de vinho e terá o resultado.
Tudo estaria perfeito se eu não tivesse perdido a aposta idiota que fiz com o Chris que dessa vez o Guá não falaria de Dubai, destino esse de suas férias de final de ano.
Tah, eu sei que o Guá iria falar de Dubai já que isso virou uma obsessão, mas como eu queria provocar o Chris resolvi ser do contra e como paga tive que levá-lo hoje as compras no Brás.
Acordei hoje as oito, tomei uma ducha e segui para a casa do tosco do Chris que já estava na porta com a cara toda amassada parecendo que tinha dormido na máquina de lavar. Tentei provocá-lo, mas o rabugento me olhou com cara de poucos amigos que decidi ignorá-lo, aumentei o volume do rádio e segui para nosso destino.
Estacionei o carro na Rua Silva Teles e fomos descendo olhando todas as vitrines. Essa é uma das poucas regiões do bairro do Brás onde a concentração de povão é um pouco menor.
Sobe aqui, desce ali, vira a esquerda e depois a direta e em poucas horas estávamos os dois com as mãos cheias de sacolas. Para quem foi de acompanhante acabei me rendendo aos prazeres do capitalismo mais do que ele, rs.
Entramos em uma loja para ver umas malhas que o Chris gostou e de repente vejo umas vendedoras cochichando ao meu lado. Olhei para aquilo sem dar muita importância até que uma delas veio com o catalogo da loja na mão me pedindo para assinar. Quando olhei vi que era um catalogo de inverno que fiz o ano para a associação de comerciantes do Brás e já nem lembrava mais dessas fotos. Foi divertido ver o entusiasmo das jovens senhoras em ver esse modelo em desgraça ali ao alcance de suas mãos.
Voltamos a bater perna e dessa vez fui eu que arrastei o Chris para dentro de uma loja para comprar um jeans corsário que acabara de ver na vitrine. Estava ali na fila pronto para pagar quando o Chris vem e comenta comigo “olha que linda essa sua patrícia”, virei para a moça que estava no caixa e então vi a mais bela de todas as “Sabie”.
Devia ter por volta de 1,70 de altura, magra de pele clara, seus cabelos negros como a noite estava envoltos por um véu cor de vinho. Seus olhos de um castanho escuro eram ternos e perfeitos, sua pequena boca de lábios finos pintados delicadamente de um vermelho pálido harmonizava perfeitamente com seu tradicional nariz árabe bem fino e levemente arrebitado. Era uma verdadeira aparição que tinha diante de meus olhos.
Não respeitando os protocolos, fui até ela para tentar saber um pouco mais sobre aquela linda moça muçulmana. Na tentativa de diminuir o constrangimento em ser abordada por um estranho, me dirigi a ela em Árabe.
Marhaba, Sabahel kheir.
Essas simples frases fizeram com que sua atenção fosse toda voltada para mim e percebendo isso prossegui.
Kífac?
Ela com um discreto sorriso, talvez do meu sotaque horrível respondeu:
Nuchkor Allá, chucran.
Ainda dentro da língua Árabe perguntei seu nome e descobri ser Samira. Continuamos ainda dentro do mesmo idioma e ela demonstrou ser muito simpática. Descobri que ela é a proprietária da loja junto com sua irmã mais velha que tinha saído para almoçar.
Eu num ato impensado e de bastante atrevimento perguntei se poderia convidá-la para almoçar. Ela então se retraiu e disse que não poderia, pois estava à espera de uma pessoa.
Eu já sem jeito pelo pequeno fora, mas ainda impelido por aquele desejo que transbordava dentro de mim passei a falar em português e mudei completamente o discurso elogiando a sua loja e mercadorias. Ela aos poucos foi relaxando e logo senti que o mal estar começava a ser superado.
O Chris veio até mim tentando me apressar, mas logo entendeu o que estava se passando e saiu tentando disfarçar alegando que iria provar outra calça.
Quando senti que tinha novamente conquistado a sua confiança, comecei a falar de como eu admirava a coragem das jovens muçulmanas que trabalhavam fora de casa sem perder a tradição. O papo começava a fluir para onde eu desejava, quando vejo um enorme sorriso abrir em seu rosto e então ela diz: Veja Rodrigo, esse é meu noivo Jorge.
Penso que se o tal Jorge tivesse me surpreendido com uma adaga seu golpe não seria mais mortal do que o som daquelas palavras que acabara de ouvir. Virei para a porta e vi um jovem se aproximando também com aquele feliz sorriso no rosto. Nunca o tinha visto e já o odiava com todas as minhas forças.
Samira então me apresentou como um patrício e então novamente a conversa voltou para o idioma Árabe, mas dessa vez um pouco mais arrastada pois todo meu esforço em impressionar a bela jovem já não fazia mais sentido.
Tentado não ser rude abreviei a conversa e conclui o pagamento. Despedi-me de Samira sentindo uma estranha sensação de derrota. Sei que não tivemos mais do que alguns minutos e mesmo assim a decepção por perder alguém quem nunca tive foi terrível.
Pedi ao Chris para voltarmos para casa e encerramos com uma baixa nosso passeio de compras na região do Brás.
Confesso que ainda não me restabeleci dessa paixão instantânea. Não sei se foi tombado pela beleza daquele jovem ou se foi o sangue Árabe falando mais forte. Agora estou aqui a correr os dedos pelo teclado, mas os pensamentos permanecem lá juntos a Samira.
Bause.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Praticidade X Impotência.

Sai hoje cedo para resolver alguns assuntos no centro da cidade e aproveitando que já estava na rua, resolvi ao voltar almoçar no Shopping Center Norte, sendo este um dos locais que mais agradam em São Paulo, já que praticamente me criei dentro desse Shopping.
Na época em que morei com minha avó, o freqüentava quase que diariamente, sempre na presença de amigos de colégio e às vezes até mesmo em família com meus pais ou primos.
São tantas lembranças nesse lugar que eu passaria o resto do mês aqui relatando e nem assim chegaria a 05% de tudo que ali já vivi. Para ter idéia, até para na sala de segurança do Shopping eu já fui. E por duas vezes, hahahaha.
Prefiro não comentar, rs.
Voltando;
Para honrar minha ascendência árabe, resolvi almoçar no Emir.
Pedi meia porção de Homus e meia de Babaganuch (pastinhas feitas de grão-de-bico e de berinjela) e também pedi Tabule (salada a base de trigo), suco de laranja e Baklawa de sobremesa.
Distrai-me com o almoço enquanto tentava por ordem em minha agenda que minutos antes havia caído dentro do carro, esparramado todas as tralhas que insisto em carregar dentro dela. A vontade de retornar ao trabalho era tamanha que acredito ter ficado ali totalmente alienado por umas duas horas e só sai desse transe com o histérico do meu sócio me ligando para saber onde eu estava.
Dirigi-me ao caixa e apresentei o cartão de debito automático que para minha enorme felicidade foi recusado pelo sistema.
Fiz cara de desentendido e pedi que o atendente tentasse mais uma vez e para meu desespero o cartão novamente foi recusado. Com um pouco mais de pavor pedi que ele tentasse pela ultima vez e novamente a recusa.
Sempre achei muito pratico andar somente com cartões na carteira, mas isso é quando eu ando com a carteira. Sou aquele tipo de pessoa que odeia ter que carregar qualquer objeto, mesmo que seja nos bolsos da calça. Somando ao medo de assalto estou sempre com os documentos básicos, mais cartão de banco e no máximo uns R$ 20,00 no bolso.
Expliquei a situação ao caixa disse que iria até o caixa automático do lado externo do Shopping para sacar a quantia e como garantia de meu retorno deixei minha agenda e documento com ele.
Aquilo que já estava ruim conseguiu ser ainda pior, pois meu cartão do banco dava erro de leitura nos dois caixas eletrônicos que encontrei. Fui obrigado a voltar para o restaurante com o rabo entre as pernas e a cabeça relampejando de tanta raiva por estar passando por aquele constrangimento.
Lá fui eu me justificar com o gerente que só não me chamou de caloteiro por já me conhecer devido a minha freqüência no restaurante, mas para tranqüilizá-lo ofereci deixar alem dos meus documentos meu aparelho de celular como garantia de meu retorno já que agora eu teria que passar na agência bancaria para sacar o dinheiro e então quitar aquele que já se tornara um maldito almoço.
Como desgraça pouca é bobagem meu cartão também foi recusado em todos os caixas eletrônicos que tentei e fui obrigado a seguir para o balcão de atendimento ao cliente para tentar descobrir que raio estava acontecendo.
A simpática mocinha me disse que provavelmente meu cartão foi desmagnetizado e eu teria que cancelá-lo e solicitar um novo e isso levaria cinco dias úteis. Por total falta de opção fui obrigado a aceitar esse procedimento e então passei a andar sem dinheiro e agora também sem cartão.
Imagina a reação do gerente do restaurante se soubesse disso, rs.
Fui obrigado a voltar para agência, explicar todo o drama para meu sócio e pedir para ele dinheiro emprestado para voltar ao restaurante.
Depois de ouvir suas piadinhas infames, peguei a grana e voltei para o Shopping onde graças a Alah consegui pagar minha pequena divida e resgatar meus pertences.
Conclusão, quanto mais praticidade, mais FUDIDO você está, rs.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Socorro Espiritual

Ontem em minha aula de Desenvolvimento Mediúnico, realizamos uma tarefa que se mostrou alem de importante e esclarecedora, também muito prazerosa.

Sobre o grupo:
Hoje contamos com um pequeno grupo de estudos que somando nossos mestres e auxiliares chegamos a um número que varia em cada aula entre 15 a 18 pessoas. Problemas pessoais afastaram parte do grupo que vez ou outra aparecem por lá para matar a saudades e participar das atividades.
Nossas reuniões acontecem semanalmente e tem duas horas de duração, sendo a primeira hora de aula teórica com estudos de livros e artigos e a segunda com o estudo prático da mediunidade em suas diversas formas. As mais freqüentes são Psicofonia, Clarividência, Psicografia, Pictografia (faculdade mediúnica essa que no momento só eu venho desenvolvendo dentro desse grupo) entre outras.
Somos todos Espíritas Kardecistas.

A Tarefa:
Ontem após o termino da aula teórica, nosso professor se dirigiu para fora do nosso circulo e pediu que fizéssemos o já tradicional relaxamento enquanto ele recebia orientação sobre a tarefa do dia. Foi feito então uma oração para que todos se tranqüilizassem e se desligassem das preocupações do mundo exterior. Ao som de uma suave melodia fomos nos conectando um a um a espera da orientação que viria do plano espiritual.
Nosso mestre então disse que a tarefa do dia seria de socorro. Que de início a espiritualidade nos mostraria um quadro e que depois de formado iríamos até esse local prestar atendimento.
Quando ele pediu para que nós, os médiuns do grupo fossemos relatando o que estávamos vendo ou sentindo houve um pequeno desencontro no relato de algumas pessoas. Eu que dessa vez não fui para a mesa com meu bloco de desenhos para desenvolver a tarefa de Pictografia, fui solicitado por nosso professor que fez o seguinte pedido:
Rodrigo imagine que está com seu caderno de desenho nas mãos e ao invés de pintar o que esta vendo, você vai nos relatar. Eu que assim como o grupo também vinha sentindo uma dificuldade de reconhecer o ambiente que nos era mostrado, assim que fiz a associação que me foi pedida, imaginado ter um lápis em minha mão vi então uma pequena transformação no plano astral.
Fui relatando tudo o que eu estava vendo para ajudar a direcionar o grupo na tarefa que teríamos a seguir.
De início eu vi um longo corredor, de paredes estreitas e sujas. Segui por esse corredor e logo vi algo que me pareceu ser um galpão, ou um deposito. Via muitas coisas empilhadas, armazenadas, mas ao mesmo tempo uma enorme confusão. A estrutura estava gravemente comprometida e eu sentia uma grande ardência no corpo. Era como se tudo ali pegasse fogo.
Nesse momento parei com o relato e meus colegas então começaram a prestar socorro às vitimas que se encontravam presas entre as ferragens. A sensação de medo e desespero daquelas entidades tomou conta de toda nossa sala e junto com a equipe espiritual fomos socorrendo a todos com doações de fluidos, levando a elas o esclarecimento de que aquela tragédia já havia ocorrido há muitos anos e que eles não deveriam mais se apegar aquela dor, que deveriam se libertar e seguir com os socorristas do plano espiritual. Que lá suas feridas seriam curadas e receberiam o entendimento necessário para seguir adiante em sua evolução espiritual.
Enquanto meus colegas incorporavam algumas dessas entidades mais necessitas, eu fixei meus pensamentos naquele local e percebi que lá não existiam somente vitimas, mas que os responsáveis por todo aquele sofrimento também estavam ali, só que não em busca de socorro, mas sim prendendo as entidades e se alimentando de todo o sofrimento.
Para não interromper o atendimento segurei essa informação e só após o termino do socorro que relatei a segunda impressão que tive sobre a tarefa que se encerrava. Relatei ao nosso professor e aos demais colegas que vi entidades muito perturbadas, que tentavam dificultar nosso socorro porque elas não aceitavam o que fazíamos, libertando assim aquelas almas que eles vinham castigando há tantos anos. Contei também que tentaram nos repelir, mas vendo que estávamos em maior numero e que nosso trabalhado recebia toda a proteção do plano maior eles não tiveram outra alternativa e foram obrigados a fugir e se esconder.
Nosso mestre então nos deu o esclarecimento final sobre o que havia acontecido. Que fomos levados a uma pequena aldeia na idade média que havia sido saqueada por membros do Clero. As pessoas foram trancadas dentro do deposito comunitário que mantinham na vila e lá morreram num grande incêndio provocado por seus algozes.
Que fomos em socorro a essas entidades e que atendemos não só as que deram comunicação através da incorporação pelos médiuns, pois essas foram somente as mais apegadas e precisavam alem do socorro também de um choque com o plano material, por isso a comunicação através dos médiuns, mas que nossos amigos do plano espiritual estiveram presente durante toda a tarefa e eles sim atenderam o maior numero de vitimas.
Disse também que minha observação estava correta e que ali ainda existiam alguns monges responsáveis por todo o massacre e eram elas as entidades que eu vi se alimentando de todo o sofrimento.
Fizemos então um novo relaxamento para nos libertar de todas measmas que poderiam ainda estar impregnadas em nosso perispirito. Foi como se um peso enorme fosse retirado de minhas costas. Até comentei com uma amiga do curso que estava me sentindo tão bem que a vontade era ficar e dormir ali mesmo, rs.
Retornei para casa muito feliz por termos realizado uma tarefa tão especial de socorro a entidades sofredoras e também por perceber que a cada semana minha mediunidade vem não só crescendo, mas também se afinando com todo o grupo.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Decepção.

Essa é a palavra que vem se repetindo nos últimos dias. Seja no circulo de amigos, no ambiente de trabalho e até mesmo dentro daquilo que ainda posso chamar de família.
São em pequenos atos, situações onde a dedicação é parcial. Em preocupações que se mostram unilaterais. São nas palavras que você colhe dentro de um contexto ou às vezes até na inexistência de certas palavras de carinho, de apoio, de quem realmente demonstra se importar.
Passei novamente a questionar onde me encaixo nisso tudo, se estou certo em continuar a habitar universos que às vezes não compreendo, que nem sei se realmente faço parte e se cheguei a ser aceito. Se sou visto por inteiro ou em partes.
Hoje me sinto como um pedaço de carne que desperta nada alem de desejos, e luxuria. Uma carteira aberta, um talão de cheques assinados, mas sem voz ativa, uma simples marionete que pode ser articulado de acordo com cada situação.
Nos últimos dias dediquei o melhor de mim a um sonho que não é meu. Pensando em pessoas que amo, abri mão de minha casa, de minha rotina e me joguei de corpo e alma em uma cruzada que nunca foi minha. Junto de uma das poucas pessoas que me ama tanto quanto eu a amo invadi castelos, derrotei tiranos e exterminei dragões, tudo para que a segurança e felicidade de duas princesas não fossem abaladas.
O meu desaparecimento virtual fez surgir uma onda de boatos e como já é de se esperar da natureza humana, tais boatos mesmo em tom jocoso traziam dentro de si um certo sadismo, porque muitos utilizam a informalidade do deboche para dar voz a suas opiniões.
Com o termino da cruzada voltei para ocupar o meu espaço, mas a surpresa em descobrir já não mais fazer parte foi por deveras cruel. A curiosidade inicial de alguns logo foi sufocada pela decepção em saber que eu estava bem e que nada de grave tinha acontecido. Acredito que para a grande maioria eu deveria ter permanecido morto respeitando assim os boatos já formados a meu respeito.
Quanto às princesas, essas estavam ocupadas de mais em responsabilizar inocentes por suas falhas e todo o mérito conseguido foi destruído em uma tempestade de fúria.
Não vou me fazer vitima ou de incompreendido porque sei que sou responsável se não por tudo, mas por grande parte do que atraio para junto de mim. Se me encontro mais uma vez perdido dentro dessa realidade e porque novamente não respeitei aos escudos que a vida me obrigou a adotar. Por descuido ou até quem sabe por excesso de confiança abri a guarda e mostrei o peito aberto pensando erroneamente que o que viam era minha essência e não só a embalagem.
Estou decepcionado comigo por mesmo inconscientemente esperar ser aceito, ser ouvido e entendido.
A Decepção é real, é virtual e acredito que até mesmo astral.

domingo, 12 de julho de 2009

Recomeço.

Há tempos que venho pensando em voltar a escrever, em montar um novo Blog e deixar correr solto os dedos pelo teclado dando forma à pensamentos que as vezes são tão secretos que não temos coragem de expo-los aos amigos.
É com enorme alegria que retorno a esse espaço que durante alguns anos fez parte de minha rotina tornando-se algo tão familiar que muitas vezes pensei ser uma extensão de mim mesmo.
O velho Blog e o adorável grupo de pessoas que junto de mim davam vida ao antigo espaço já não existem mais. Quis o destino que cada um de nós seguisse por caminhos distintos, cada qual em busca de sua evolução, de sua verdade.
Adoraria reunir novamente o antigo grupo, mas isso deixo a cargo do tempo. Sigo com cautela, dando um passo de cada vez, para que a euforia não se transforme em decepção. Hoje me entrego a tarefa de recriar o meu cantinho e quem sabe em breve o eco de algumas dessas palavras soltas e levadas pelo vento, não ressoe no coração de algum deles e ai então estaremos juntos novamente.
Pretendo nesse novo espaço seguir a linha que adotei dentro do primeiro Contos e Memórias. Uma linha sempre franca e sem pudores onde os dedos davam voz aos desejos e anseios de uma alma quase sempre perdida, torturada.
Sem grandes pretensões, hoje coloco o primeiro tijolo dessa nova casa. Deixo que o tempo e a rotina do dia-a-dia dêem forma e cores a essas paredes virtuais emoldurando essa enorme colcha de retalhos emocionais chamada Rodrigo.