
Neste final de semana convidei alguns amigos para tomar um vinho aqui
Como o Fernando está viajando a trabalho e com a isso a Gih ficou temporariamente solteira, resolvi pedir a ela que viesse mais cedo aqui para casa para me ajudar nos preparativos. Sou bom em elaborar o menu e fazer as compras, mas terrível em assunto como organização e decoração, e ninguém melhor do que minha doce amiga para vir em meu socorro.
Só não podia imaginar que o que ela faria fosse exatamente me socorrer.
O assunto entre nós corria em terrenos férteis. Falávamos sobre trivialidades e sem que me desse conta fui conduzido a assuntos que vinha negligenciando ou até mesmo ignorando por estar diretamente envolvido.
Conhecemos-nos já há muitos anos e desfrutamos de uma sinceridade e confiança tão grande um com o outro que ela costuma dizer que frases que se iniciam em sua boca, terminam sendo pronunciadas pela minha e vice versa. É como se uma só cabeça habitasse dois corpos que mesmo separados pela distância permanecem unidos, conectados.
Estávamos na cozinha ajeitando uma tabua de frios quando ela disse que queria falar sobre meu Blog. Eu até pensei que ela fosse comentar mais alguma coisa sobre o Post Perfeição como ela já tinha dito que faria, mas para minha surpresa ela resolveu falar sobre minha mais recente postagem onde falo de ansiedade.
Ela esticou seu braço por sobre a mesa e segurou minha mão perguntando se eu não tinha percebido o que estava ocorrendo. Respondi que não tinha entendido onde ela estava querendo chegar e para ser mais objetiva. Alem de não me responder ela disse que me faria algumas perguntas e que minhas respostas me mostrariam onde ela queria chegar.
A primeira pergunta foi de onde eu conhecia os tais amigos que citei no post.
Depois sobre o quanto eu sabia da vida de cada um e o quanto sabiam da minha.
Perguntou também se um desses amigos estava passando por algum tipo de problema e principalmente como eu estava me portando.
Fui respondendo cada uma de suas perguntas até que justamente como ela disse as coisas ficaram claras em minha mente e pude entender para onde estava sendo guiado.
É impressionante como a vida nos prega peças. Situações são novamente revividas com novas datas, novos personagens, mas sem mudanças no roteiro. O enredo é idêntico, tão familiar que te passa despercebido. Você se entrega sem ressalvas, despido de toda armadura que vestiu justamente para evitar sofrer novamente.
Confesso que o peso de tal revelação me afetou. Tenho sim muito medo de me ferir novamente afinal quem não teria. Na época abri mão de muita coisa como uma viagem já agendada com amigos. Arrumei uma briga enorme porque tais amigos alem de não aceitar minhas justificativas para desistência de nossa viagem ainda não entendiam a razão de eu estar fazendo aquilo.
Fui para um lugar estranho me encontrar com um casal de irmãos que se diziam necessitados de meu amparo emocional para depois descobrir que tudo não passava de uma farsa, já que os problemas que eles alegavam ter como a perda dos pais e a desistência da vida era na verdade fatos por eles explorados para encobrir duas almas desumanas, que sugavam incessantemente da atenção e afeto que recebiam de mim e de mais alguns amigos que também estavam sendo enganados.
O mais cruel é que depois de quase um ano de amizade com conversas quase que diarias pelo msn e telefone, resolvi aceitar o convite de passar junto deles uma semana para quem sabe ajudá-los a se redescobrirem, a enterrar as lembranças do passado e seguir em frente, a voltar a viver. Mas quando lá cheguei e eles se viram obrigados a enfrentar todos os fantasmas que haviam me prometido, não tiveram a coragem necessária e simplesmente me expulsaram para fora de sua casa. Acordei pela manhã e fui informado que eles desejavam que eu fosse embora, que já tinham providenciado tudo como a compra de minha passagem de volta e também o cancelamento das reservas que eu tinha feito para passear e conhecer a cidade.
Senti-me sozinho entre estranhos, perdido numa cidade desconhecida, sendo humilhado por pessoas dignas de uma crueldade que jamais pude imaginar. Bom, de certa forma sei ser responsável por aquilo tanto quanto eles.
Voltando ao presente percebi que dessa vez não existem familiares mortos ou visitas que devem ser feitas, mas o que se assemelha e muito são as horas de conversa onde tudo que é dito e aparentemente compreendido, é distorcido e posto em pratica já no dia seguinte de forma totalmente contraria ao que foi discutido.
Não questiono o gral de entendimento e muito menos espero que nossas conversas sejam levadas ao pé da letra, mas me pergunto sim se estou agindo de forma correta, se estou sendo um bom amigo ouvindo e aconselhando ou somente uma válvula de escape, ou até quem sabe uma agradável distração, com boa conversa e relativo grau de cultura.
Não pretendo em nenhum momento virar as costas, pois isso não é de meu perfil, mas entendo que devo voltar a vestir minhas proteções para que a vida novamente não se faça presente e me arraste mais uma vez para rumo a escuridão.

Lindo sabe que te amo tanto ou mais do que o citado em seu Post
ResponderExcluirConte sempre com meu ombro e puxões de orelha
Sei que vai seguir com suas convicções, esse craçãozinho é por de mais generoso, porem fico tranquila em saber que agora segue de olhos abertos
Beijo de sua sempre amiga Gih