sexta-feira, 24 de julho de 2009

Reincidente

Acredito que ainda não seja possível reconhecer quais são os meus defeitos e qualidades devido ao curto período de existência desse novo Blog. Sendo assim vou falar um pouco daquele que considero ser meu maior defeito. A ansiedade.

Não é possível elencar todas as vezes que me deixei levar por esse sentimento de perturbação, porque pelo que me recordo já somos íntimos desde a mais tenra infância. Lembro com clareza do sofrimento que era esperar até o Natal, Aniversário, e outras datas comemorativas nas quais eu sempre recebia os presentes encomendados.

Me recordo de um Natal que prometi aos meus pais deitar mais cedo para que o Papai Noel pudesse deixar meus presentes em baixo da cama. É fato que a ansiedade foi tão grande que não dormi, e assim que meu tio entrou pelo quarto vestido de Papai Noel para cumprir com o ritual, saltei da cama em direção a seu pescoço, acabando assim com a surpresa e também com a fantasia da existência do Papai Noel.

Essa aflição de não saber esperar me perseguiu e de alguma forma me fez sofrer por toda vida. No colégio era a preocupação com as provas. O medo de uma nota baixa sempre me tirou o sono na véspera de cada exame mesmo sendo eu um aluno sem grandes problemas de aprendizado.

E às vezes em que quase morri antes mesmo de chegar à consulta médica. Só o medo de imaginar que eu poderia ter alguma doença, ou que teria que fazer algum tratamento já me deixava mais enfermo do que o mal que buscava tratar.

Não posso esquecer de citar a impaciência na espera por compromissos, sejam eles profissionais ou puro laser. Não tolero atrasos e sendo assim também não me permito chegar atrasado. Meu receio de deixar uma pessoa esperando é tão grande que sempre chego antes do horário marcado e fico fazendo hora do lado de fora do local combinado.

Essa ansiedade também se fez presente em meus relacionamentos amorosos. Discussões poderiam ter sido evitadas se eu não tivesse cobrado, planejado, combinado e depois sofrido porque a outra parte se esqueceu, mudou de planos ou simplesmente não deu a importância que eu esperava.

Como se não bastasse fui buscar uma profissão onde o tempo é seu maior inimigo. Como não sofrer de ansiedade sem saber se sua campanha seria aceita, se seu cliente ou professor iria entender suas idéias, se sua linha de raciocínio estava correta, se conseguiu entender o produto e criar algo que despertasse desejo no consumidor, ter a obrigação de criar algo novo, original, como passar por todo esse turbilhão sem demonstrar ansiedade?

Depois de tantos exemplos eu poderia alegar estar curado desse sentimento tão perverso que chega sem maiores avisos e quando você percebe já está andando de um lado para o outro ou então batendo os dedos irritantemente sobre a mesa.

Confesso estar novamente sofrendo de ansiedade. Ela me persegue quando penso na Samira e em tudo que pode acontecer, ela aparece também nos compromissos que tenho para os próximos dias e até mesmo aqui nesse Blog e num propósito paralelo que teci para ele.

Deixei-me levar pela idéia de criar um espaço onde inicialmente três amigos pudessem se expor sem receios. Cada um dentro de seu pequeno espaço falaria de seus medos e incertezas, seus sonhos e desejos e assim unidos iríamos nos ajudando nessa enorme troca de experiências. Quem sabe até exorcizar nossos fantasmas, tentando encontrar sentido dentro desse nosso caos existencial.

A ansiedade foi tão grande que esqueci que para esse sonho dar certo ele depende de outras pessoas. Depende do desejo dessas pessoas em compartilhar suas vivencias. Em não só contar sobre suas histórias, mas também a ouvir e a aconselhar a oferecer um braço forte quando for necessário lutar e também um colo quando o momento for para chorar.

Vejo agora o quanto me enganei, o quanto fui ansioso acreditando na formação desse elo. Minha vontade de oferecer essa troca de conhecimento e aprendizado foi tão grande que não percebi que poderia estar falando sozinho. Como oferecer ajuda se não existe a quem socorrer e como gritar por socorro num ambiente que pode ser estéril onde não se é ouvido e nem entendido...


2 comentários:

  1. Compartilhar desejos é um ato que considero particularmente humano. Não humano como um ser em si, mas um ser sentimental.
    Felizes ficamos quando queremos que os outros tenham ao menos uma pequena prova do que se está vivenciando. E mais ainda quando tem-se um retorno.
    Muitas vezes o que fazemos é propagar o que se sente, algumas delas involuntariamente. Mesmo quando há barreira, isso não deixa de existir.
    Nem todos a nossa volta estão dispostos ou até mesmo prontos pra compartilhar algo assim.
    Acho que o que lhes falta é um pouco mais de bom senso: as coisas são mais valorosas quando se tem com quem aprender e dividir o aprendizado.
    Se fecham os olhos pra oportunidades assim, apenas confirmam a incapacidade de se conhecer e deduzem de si algo mais valioso.

    ResponderExcluir
  2. Olá drigo! entendo seu problema,tb sou uma pessoa incrivelmente anciosa,enfim... ja perdi a conta de quantas vezes me decepcionei e me entristeci por conta disso;mas acho que conversar sobre isso me faz bem,então acredito q tb faça a você...não tenha vergonha deser assim tão ancioso,afinal ninguém é perfeito não é?! beijos e até!

    ResponderExcluir