No sábado fui acordado as 7:00 horas da manhã por um celular histérico que insistia em se fazer notar. Era minha querida Gi pedindo para que eu fosse buscá-la. Disse que estava a caminho e em 30 minutos seu ônibus chegaria à rodoviária. Respondi que estaria lá a sua espera e me levantes ainda sem entender o que estava acontecendo.
Desde o dia do meu aniversario que não nos falávamos, mas a todo momento pensava nela e no dilema que ela teria pela frente. Desejava ligar, perguntar se estava tudo bem, mas preferi permanecer distante para não piorar ainda mais o desfecho da relação dela com o Fernando.
Tomei uma breve ducha para acordar e segui para a rodoviária. Não sei se me atrasei ou seu ônibus que se adiantou, mas quando lá cheguei encontrei minha amiga com o cigarro na boca e cara de poucos amigos. Desci do carro e nos demos um longo e apertado abraço. Não precisei perguntar nada, pois a chegada dela em Santos já indicava que as coisas não estavam bem, mas mesmo ainda abraços ela falou:
Di, acabou...
Seguimos direto para meu apartamento, passando somente na padaria para pegar algumas coisas gostosas para o café da manhã. Enquanto eu preparava os ovos mexidos,
pedi para ela fazer um café, já que o meu é horrível, diria até “intomavel”. Só mesmo com gente em casa para eu fazer uma refeição descente, rs.
Sua aflição era tão grande que em dez minutos despejou sem parar nem para respirar toda a conversa que teve com o Fernando no dia anterior. De como foi difícil fazê-lo entender e aceitar.
Segundo a Gi, o Fernando a responsabilizou pelo termino do namoro. Acusou ela de sempre preferir a nós seus amigos do que a ele. De não se entregar a relação e uma série de coisas que não vale a pena registrar.
Passamos toda a manhã ali na cozinha. Emprestei meu ombro para que ela deixasse sair toda magoa que vinha acumulando e quem sabe conseguisse exorcizar de vez esse encosto chamado Fernando.
Não tenho problema em falar sobre ele aqui nesse Blog, já que a Gi conhece muito bem meus pensamentos a respeito do Fernando e do tipo de relação que os dois estavam tendo. Eu o definia como um vampiro, um sangue suga que se alimentava da Gi privando-a de sua leveza, de sua vontade de viver. Não encontrava mais em seu rosto aquele sorriso sacana de quem estava sempre prestes a aprontar a alguma coisa. Minha amiga andava sem brilho, apagada e vivendo aquela rotina sem sal que o Fernando tentava convencê-la a gostar. Tirando os momentos onde ela estava conosco, sua vida se resumia do consultório para casa e nada mais.
Falo por experiência própria que é muito mais simples resolver os problemas alheios do que os nossos, mas como ser indiferente as pessoas que amamos?
Como passamos a manhã toda comendo seria impossível pensar em almoçar e então resolvemos descer e caminhar um pouco pela praia. Esse é uma habito que sentirei muita falta caso um dia resolva voltar para São Paulo.
Hora falamos dos problemas dela, outros momentos dos meus e o dia passou sem que nos déssemos conta. Como o desanimo e a preguiça tomava conta dos presentes, resolvemos pedir uma pizza e jogar uma partida de buraco.
No domingo passamos a manha visitando o aquário de Santos. Quando criança esse era meu passeio favorito e passava horas na companhia de meus primos a observar os peixes e a imaginar grandes aventuras marinhas e batalhas de piratas. A saudade daqueles dias foi inevitável, mas o estomago falou mais alto e fomos saciar a fome no mesmo restaurante onde conheci as simpáticas velinhas. Pena que dessa vez não nos encontramos.
Após o almoço sentamos em um quiosque na praia e falamos sobre o Chris meu amigo que desde minha retirada de São Paulo, passou a me ignorar e só fala comigo quanto seu desejo é de me ofender. Mesmo chateado entendo que o Chris é uma criança grande, que mesmo convivendo com sua família é muito mais solitário que eu. Que essa postura que vem dento nos últimos dias nada mais é do que uma forma de chamar minha atenção. Conheço aquele maluco a muitos anos e penso o conhecer melhor que ele mesmo, hehe.
Falamos muito sobre isso e a Gi se mostrou satisfeita por perceber que pela primeira vez estava me pondo acima de todos e não cedendo as chantagens emocionais ou pressões dos meus primos para meu retorno ao trabalho.
O bom de falar com a Gi é que não preciso falar, pois ela entende meus gestos, olhares. Compreendemos-nos no silêncio o que para grande maioria é impossível.
Sentindo que minha amiga ainda precisava de colo, consegui convencê-la a ficar aqui comigo até terça-feira, dia em que tenho aula
E assim seguimos os dois conversando em silêncio uma prosa que só a nós faz sentido.


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